domingo, 11 de abril de 2010
Quanto tempo...
Não é difícil, não!!!! Você percebe que não tem fome, não sente o estômago implorando por comida e as coisas vão se acertando. O caminho é fazer tudo como o médico e a nutricionista mandam. A única dica que fica aqui é: quando começar a dar vontade de mastigar alguma coisa, durante esses 30 dias de alimentação líquida, faça o seguinte: faça um bifinho de filé mignon de preferência e mastigue muito. Tire todo o caldo que conseguir da carne e depois jogue a carne fora... PELO AMOR DE DEUS, NÃO VÁ ENGOLIR!!!!!!! Foi a única coisa "fora das regras" que fiz! E me ajudou muito!!!
Depois de 30 dias de líquidos, a notícia mais esperada: 10 kg a menos e uma descoberta... tenho pescoço!!!! Foi a parte que mais murchou!!!!
Após esse primeiro estágio, começa a fase alimentação de verdade. Comida!!!!! Tudo medido e muitíssimo bem mastigado. Algumas sensações são bem estranhas... uns gases ficam andando dentro da sua barriga e parece que vai sair um alienígena de dentro de você mas é normal!!!
Esses sons vão nos acompanhar para sempre eu acho... ainda hoje sinto isso de vez em quando quando engulo alguma coisa meio rápido ou como um pouquinho além da medida!!!
Outro dia, fui tomar sorvete de doce de leite... quase morri... fiquei 3 horas sentada no sofá sem conseguir me mexer, numa lerdeza absurda... a nutri disse que é uma reação de dumping. Não vomitei nem tive taquicardia nada disso mas fiquei totalmente paralisada. De vez em quando a gente descobre alguma coisa que não cai muito bem e coloca na listinha de coisas a evitar!!!
Agora, aos 9 meses de operada, perdi quase 30 Kg e estou me preparando para uma viagem muuuuito especial: EUA!!!
Também vou falar da viagem aki! Devo passar por NY, Washington, Orlando e Miami. E tudo deve acontecer na época do meu aniversário, em setembro, para que eu comemore meu dia na Disney!!!!
Por hora é isso!!!
Bj
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O DIA "D"
Após toda a correria, toda a ansiedade, finalmente era chegada a hora. Dia 24/07 às 8h.
Cheguei ao hospital às 7h e claro que tinha mais uma surpresa... minha cirurgia tinha sido transferida para as 11h mas ninguém tinha me avisado. Que legal!
Lá pelas 8h, conseguiram um quarto e levei minhas coisas para lá. Fiquei sozinha porque 5 dias antes, meu marido quase quebrou o pé e teve que ficar de gesso e minha mãe foi levá-lo ao hospital para retirar o gesso.
Quando chegava as 11h, um enfermeiro veio até o quarto trazendo uma camisola branca e falou que era para me trocar que logo viria uma outra pessoa para me buscar e finalmente me encaminhar pra sala de cirurgia. Nessa hora, fiquei gelada... ansiosa. Troquei a roupa, tirei algumas fotos de camisola e de repente o telefone tocou. Era minha mãe, perguntando se estava tudo bem e se eu me importava que ela e meu marido almoçassem antes de voltar ao hospital. Claro que disse que eles podiam ficar tranquilos mas, na verdade, queria mesmo que eles estivessem ali comigo. Foi meio estranho ficar sozinha, minutos antes de mudar a minha vida.
Meio-dia... chega o enfermeiro e uma cadeira de rodas... fomos ao subsolo e lá uma geladeira me esperava. Eu só com aquela camisola e uma salinha, com um ar condicionado fortíssimo, parecia uma câmara frigorífica de tão fria, onde mais 3 pessoas aguardavam. Um ia ser operado da mão, a outra esperava notícias do filho e a outra não sei, porque ela ficou calada o tempo todo.
Após mais algum tempo de espera, finalmente me chamaram... passei pela porta e vi o cirurgião, me esperando. Fui até ele, conversamos durante o caminho até a sala... lá conheci o outro médico que iria ajudar na operação e o anestesista.
Deitei na cama, e o médico começou a enfaixar minhas pernas, para evitar trombose. Mediram minha pressão, ouvia uma música ao fundo mas não me lembro o que tocava. O anestesista começou a se preparar e de repente senti os olhos embaçarem. Olhei para ele e disse: Você já começou? E ele: Sim. Depois disso não lembro de mais nada.
Acordei na enfermaria, tremendo de frio. O pior é que não conseguia pedir mais coberta, a voz não saía. O pensamento estava funcionando, sentia frio, vi o relógio era 17.30h, mas não conseguia falar. Consegui mexer as pernas e o braço... a enfermeira chegou perto de mim e com toda a força que eu consegui reunir, falei: frio. Logo ela me trouxe outra coberta mas mesmo assim era terrível, eu tremia dos pés à cabeça mas o pior eram os braços que se batiam mesmo eu tentando segurá-los. Coloquei os dois embaixo do corpo pra ver se melhorava mas que nada.
Pensei na minha mãe. Como tínhamos combinado que meu marido ficaria comigo e ela em casa, tomando conta dos cachorros, lembrei que ela disse que não ia dirigir de noite, porque não conhecia muito bem o caminho e que ela deveria estar doida, já querendo ir embora e eu que não subia.
Lembro de ter dormido mais um pouco e quando acordei já era quase 19h.
O frio tinha passado, ou melhor, diminuído bastante. Mas, comecei a sentir uma coisa muito ruim. Meu estômago começou a ficar enjoado, parecia que eu tinha engolido um novelo de lã e não conseguia salivar o suficiente para aquela sensação passar. De repente comecei a ter náuseas e senti que ia vomitar... mas vomitar o que se fazia quase 24 horas que não comia nem bebia nada?? Mais uma vez tive que tentar chamar a enfermeira... Ruim! Só consegui falar isso mas por Deus saiu alto e ela me ouviu de primeira. Foi ela chegar perto e comecei a vomitar. Ela me limpou... e devo ter colocado alguma coisa pra fora umas 4 vezes... que horrível.
Lá pelas 19.30h não aguentava mais ficar ali... e pior, a vontade de fazer xixi... chamei a enfermeira e já conseguia montar uma frase... preciso fazer xixi. Ela perguntou se eu queria fazer ali mesmo, na comadre ou se eu preferia ir para o quarto. Disse que preferia ir pro quarto e ela me disse que tinha que esperar um pouquinho porque ela estava sozinha e assim que fosse possível ela me levava.
Antes tivesse feito na comadre mesmo... quase 20.10h e chamei por ela de novo. "Não aguento mais!" Ela acabou ficando com dó, acho, e logo começou a me empurrar para o elevador.
Finalmente cheguei no quarto, vi meu marido na porta mas não vi minha mãe. Pedi pra ir logo no banheiro mas a enfermeira do andar disse que eu não podia levantar de uma vez porque eu ia ficar tonta. A solução foi fazer na comadre mesmo.... nossa! que alívio!
Depois de respirar, abrir bem os olhos, me situar, pedi que meu marido levantasse um pouco a cama... de repente, que enjoo, de novo! Ee abaixou a cama de novo e por sorte passou rapidinho o enjoo. Se eu tivesse levantado, com certeza teria passado muito mal.
21h - Dr. Rafael chegou no quarto para me ver. Perguntou como me sentia e que tudo tinha ido muito bem. Falou para eu tentar levantar da cama e começar a caminhar. Parecia que eu tinha um elefante sentado em cima de mim e ele queria que eu caminhasse.
Mais tarde, consegui me levantar e fui até o banheiro.
Dados técnicos: conversando com meu marido, o médico falou logo após a cirurgia que normalmente eles operam em 50 minutos mas como eu ainda não tive filhos, meus órgãos estavam bem juntinhos e foi mais difícil um pouco e por isso o procedimento levou 1h e 20 min.
Antes de dormir de novo, falei com a minha mãe... ela estava preocupada de não ter me visto mas consegui acalmá-la.
Como não podia beber nada e muito menos nem pensar em comida, estava no soro direto e assim seria por dois dias, acabei dormindo.
A noite foi típica... enfermeiras no quarto de tempo em tempo para dar remédios, medir a pressão e temperatura, essas coisas.
No outro dia acordei cedo. Às 8.30h estava no chuveiro e ai percebi que estava com o rosto azul... quando passei mal na enfermaria, vomitei um líquido azul e pensei: deve ter sido o tal teste com azul de metileno.
Tomei um banho delicioso, troquei de roupa e comecei a caminhar pelo corredor do hospital.
Começaram a chegar os primeiros amigos. Cecília, depois a Flávia, depois Celmar e Fernanda. O telefone também tocava bastante.
Na hora do almoço, minha mãe chegou. Ai sim, ela ficou aliviada mesmo de me ver.
O primeiro dia foi bem tranquilo. O segundo dia foi bem parecido... remédios, soro, caminhada, exercícios com a fisioterapeuta, descansar um pouco e tudo de novo.
Terceiro dia: quase meio-dia, dr. Rafael apareceu. Me deu um golinho de água... que delícia! Eu que não vivo sem beber água, depois de 2 dias seca, pude beber um golinho. E ele perguntou se eu queria ir pra casa. CLARO! Ele fez a receita com o medicamento para tomar 28 dias (antiinflamatório) e liguei para minha mãe me buscar! UHU!
Chegando em casa, primeira refeição. Água de coco! Bom demais!
Chega por hora, depois conto o primeiro mês de alimentação.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
30/07 - 6 dias de operada!!!
Fui a perícia do meu plano de saúde, no dia 30/12... Nunca deveria ter feito aquilo!!!! Que tristeza!!! A médica me disse que 39,7 de IMC não era 40 e que como apresentava esofagite, teria que pegar um laudo de gastro falando que não era risco para a cirurgia e que ele recomendava. Bom, dia 30 de dezembro não adiantava muita coisa sair correndo atrás de um gastro... não achava nenhum mesmo!!!
A virada de ano foi horrível!! Pensando como faria e como seria... No dia 05/01, corri para um consultório, pois não achei o mesmo que tinha feito a endoscopia, e veio a pior das notícias... o médico não recomendava nem daria o laudo que eu precisava! Saí de lá apenas com a receita do remédio que teria que tomar por 40 dias para curar a esofagite. Ou seja, pensar em cirurgia novamente, só lá pra março. Voltei na perícia mesmo assim e a resposta foi NÃO! Entrei com recurso e dia 13/01 tive a resposta, NÃO!
Meu mundo caiu... faltavam 2 dias para a cirurgia e eu não poderia mais fazer! Liguei para o médico desmarcando tudo...
Comecei o tratamento para a esofagite e por um tempo esqueci da cirurgia.
Quando foi em maio, resolvi começar o processo novamente. Primeiro, marquei um cardiologista pois estava tendo picos de pressão de 18 x 10. Fiz vários exames, inclusive o mapa, aquele que fica 24h monitorando a pressão, tive que fazer 2 vezes, e constatada a pressão alta, comecei a tomar medicação.
Marquei uma consulta para o começo de junho, com o cirurgião e com a nutricionista.
Estava 4 kg mais gorda. IMC 41,38. Peguei a lista dos exames básicos, não ia fazer todos aqueles de esforço, polissonografia de novo.
No começo de julho, estava tudo pronto e marquei a data novamente: 24/07/2009. No dia seguinte, já fui na perícia e mais uma notícia: Tinha que procurar um endócrino. Sem o laudo dele, nada feito.
Saí da perícia e me pendurei no telefone para conseguir marcar uma consulta. Em todos os lugares estavam marcando para o começo de outubro ou na melhor das hipóteses, no fim de setembro. Como eu poderia esperar tanto assim???? Consegui um particular para o mesmo dia. Estava disposta a pagar 200,00 na consulta. Ai, meu anjo da guarda Paula, conseguiu marcar perto da casa dela, para aquele mesmo dia, à tarde, pelo convênio. Lá fui eu... saí do serviço mais cedo, passei na casa dela e ela foi comigo. Chegando no hospital, fui atendida por um médico excelente. Atencioso, fez todo relatório, olhou todos os meus exames e lá veio mais uma bomba: precisava fazer mais 2 exames. Ai meu Deus!!!! Fiz um deles na sexta-feira e outro sábado pela manhã. Na quarta-feira, saiu o resultado e fui correndo no médico, no meio do expediente, para ver se conseguia o último laudo. Chegando lá, não tinha nenhum desvio de hormônio, aumento de cortisona (como ele tinha pensado), ou seja, nada que justificasse o aumento de peso. Ai, pronto!!!! Ele fez o laudo, inclusive recomendando a cirurgia. UFA!!!!!!
Na volta ao serviço, resolvi já parar na perícia... faltavam 15 minutos para a médica sair do consultório. Cheguei e logo fui atendida. Ela olhou e até comum sorriso no rosto disse: agora sim!!!!
Eu tremia de alegria!!!! Finalmente, depois de tanta correria eu tinha conseguido!!!!!!
Fizemos todos os procedimentos de autorização e estava tudo certo, seria operada dia 24/07!
Não aguento mais ficar sentada... vou caminhar um pouco e depois começo a escrever "O DIA D"
Até mais!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Primeira vez....
Como costuma dizer minha sábia vovó: "Se você der o primeiro passo, já andou metade do caminho!" E é verdade, eu sou prova disso!
Estou muito feliz pois estou dando um passo muito importante. Na quarta-feira (08/07), consegui finalmente a autorização do meu plano de saúde para fazer a cirurgia bariátrica... mas essa estória é antiga, ela começou em 2008, mais precisamente em novembro.
De volta para o futuro....
Após muitas conversas com minha grande amiga Paula, operada há 6 anos, decidi, em novembro, que iria procurar um médico para obter informações e tirar dúvidas tão comuns quando não se conhece aquilo com que se depara. Não tinha a indicação de nenhum médico especificamente então decidi entrar no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e tentar juntamente com a lista de médicos credenciados no meu convênio, achar alguém que pudesse me atender. Acabei encontrando o Dr. Rafael Galvão e demorei uma meia hora até ter coragem de pegar o telefone e ligar para o consultório. Nesse intervalo, uma grande amiga (que conheço há apenas 2 anos mas que parece que somos amigas desde que nascemos) me ligou e falei que tinha procurado um consultório e que queria marcar a consulta. No mesmo instante, ela me disse: "Ah, a minha cunhada vai ser operada também". E pedi então para ver com qual médico seria, de repente o médico também atendia meu convênio e ai já teria uma referência. Não deu 10 minutos ela me liga de novo: Quem vai operar é o Dr. Rafael Galvão. E me passou o telefone..... Coincidência??? Um sinal??? Uma benção??? Foi uma alegria só! Agora, eu conhecia alguém que se tratava com o médico que eu tinha escolhido!!
Nunca fui muito chegada à medico e a timidez que, às vezes, me domina, estava presente naquele momento. Mas, após ensaiar umas 3 vezes e depois da coincidência acima descrita, consegui. Marquei a consulta. Alguns dias depois, encararia o Dr. Rafael!
E lá fui eu, pela primeira vez, entrando no consultório. A sala estava cheia e a sensação não poderia ser mais estranha... tantas pessoas estavam ali, com os mesmos sonhos, a mesma necessidade... se livrar da obesidade!
Fui logo atendida e tive que preencher 2 questionários. Devolvi as fichas para a secretária e vi em cima da mesa um nome conhecido... era o envelope da cunhada da minha amiga! Voltei para o meu lugar e novamente criando coragem, resolvi arriscar e perguntar para a pessoa que estava ao meu lado: "Você é a cunhada da (...)???" E qual foi a minha alegria... era ela mesma.... Já estava operada, feliz da vida, emagrecendo!!!!
Não deu tempo de conversarmos muito pois logo ela foi chamada. Na saída, ainda falamos mais algumas palavras e ai chegou a minha vez!
Fiquei gelada (sempre fico assim quando me encontro numa situação atípica, com medo). Me levantei e lá fui eu, sozinha, até a porta onde estava o Dr. Rafael.
A consulta foi ótima, ele me explicou tudo, perguntei tudo que tinha direito e que me perturbava naquele momento e depois de ler relatórios, checar todas as respostas comigo, chegou a hora... Precisava me pesar e medir! Lá fui eu!!!! Sabia que a situação andava meio ruim, as calças denunciam logo quando algo está crescendo, aumentando no corpo, e no meu caso era minha barriga que aumentava.
Mas, mesmo estando ciente, tomei um susto... 98 kg!!! Meu IMC (a primeira vez que vi esse cálculo) acusava sem dó, nem piedade: 39,7. Isso significa que eu estava a 0,3 ou menos de 1 kg do índice 40, que indica a obesidade mórbida.
Ele me olhou e disse a frase: "Indicação para a cirurgia você tem. Tem IMC quase 40, tem comorbidades... agora resta saber: é isso mesmo que você quer?" E depois de tantas explicações e de um exemplo tão próximo que tenho, a Paula, pude responder com toda a sinceridade e firmeza: "Eu quero sim!"
Imediatamente o médico pegou várias folhas, começou assinar os papéis e depois me explicou cada um deles. Eram os exames pré-operatórios que eu tinha que fazer. Quanta coisa!!!! Minha cabeça deu um nó, mas como estava tudo ali anotado, não teria maiores problemas.
Saí do consultório meio perdida... quanta coisa... mas se era assim, assim seria!
No dia seguinte comecei uma maratona! Ligar em cada consultório, em cada clínica para saber quando poderia fazer cada um dos exames.
Por hoje tá bom né?! Depois eu termino essa estória ou seria a próxima novela das 20h??
Bj
