Dia 18/07, meu reforço mais importante... minha mãe. Ela ficaria comigo no hospital para dar aquela assistência básica.
Após toda a correria, toda a ansiedade, finalmente era chegada a hora. Dia 24/07 às 8h.
Cheguei ao hospital às 7h e claro que tinha mais uma surpresa... minha cirurgia tinha sido transferida para as 11h mas ninguém tinha me avisado. Que legal!
Lá pelas 8h, conseguiram um quarto e levei minhas coisas para lá. Fiquei sozinha porque 5 dias antes, meu marido quase quebrou o pé e teve que ficar de gesso e minha mãe foi levá-lo ao hospital para retirar o gesso.
Quando chegava as 11h, um enfermeiro veio até o quarto trazendo uma camisola branca e falou que era para me trocar que logo viria uma outra pessoa para me buscar e finalmente me encaminhar pra sala de cirurgia. Nessa hora, fiquei gelada... ansiosa. Troquei a roupa, tirei algumas fotos de camisola e de repente o telefone tocou. Era minha mãe, perguntando se estava tudo bem e se eu me importava que ela e meu marido almoçassem antes de voltar ao hospital. Claro que disse que eles podiam ficar tranquilos mas, na verdade, queria mesmo que eles estivessem ali comigo. Foi meio estranho ficar sozinha, minutos antes de mudar a minha vida.
Meio-dia... chega o enfermeiro e uma cadeira de rodas... fomos ao subsolo e lá uma geladeira me esperava. Eu só com aquela camisola e uma salinha, com um ar condicionado fortíssimo, parecia uma câmara frigorífica de tão fria, onde mais 3 pessoas aguardavam. Um ia ser operado da mão, a outra esperava notícias do filho e a outra não sei, porque ela ficou calada o tempo todo.
Após mais algum tempo de espera, finalmente me chamaram... passei pela porta e vi o cirurgião, me esperando. Fui até ele, conversamos durante o caminho até a sala... lá conheci o outro médico que iria ajudar na operação e o anestesista.
Deitei na cama, e o médico começou a enfaixar minhas pernas, para evitar trombose. Mediram minha pressão, ouvia uma música ao fundo mas não me lembro o que tocava. O anestesista começou a se preparar e de repente senti os olhos embaçarem. Olhei para ele e disse: Você já começou? E ele: Sim. Depois disso não lembro de mais nada.
Acordei na enfermaria, tremendo de frio. O pior é que não conseguia pedir mais coberta, a voz não saía. O pensamento estava funcionando, sentia frio, vi o relógio era 17.30h, mas não conseguia falar. Consegui mexer as pernas e o braço... a enfermeira chegou perto de mim e com toda a força que eu consegui reunir, falei: frio. Logo ela me trouxe outra coberta mas mesmo assim era terrível, eu tremia dos pés à cabeça mas o pior eram os braços que se batiam mesmo eu tentando segurá-los. Coloquei os dois embaixo do corpo pra ver se melhorava mas que nada.
Pensei na minha mãe. Como tínhamos combinado que meu marido ficaria comigo e ela em casa, tomando conta dos cachorros, lembrei que ela disse que não ia dirigir de noite, porque não conhecia muito bem o caminho e que ela deveria estar doida, já querendo ir embora e eu que não subia.
Lembro de ter dormido mais um pouco e quando acordei já era quase 19h.
O frio tinha passado, ou melhor, diminuído bastante. Mas, comecei a sentir uma coisa muito ruim. Meu estômago começou a ficar enjoado, parecia que eu tinha engolido um novelo de lã e não conseguia salivar o suficiente para aquela sensação passar. De repente comecei a ter náuseas e senti que ia vomitar... mas vomitar o que se fazia quase 24 horas que não comia nem bebia nada?? Mais uma vez tive que tentar chamar a enfermeira... Ruim! Só consegui falar isso mas por Deus saiu alto e ela me ouviu de primeira. Foi ela chegar perto e comecei a vomitar. Ela me limpou... e devo ter colocado alguma coisa pra fora umas 4 vezes... que horrível.
Lá pelas 19.30h não aguentava mais ficar ali... e pior, a vontade de fazer xixi... chamei a enfermeira e já conseguia montar uma frase... preciso fazer xixi. Ela perguntou se eu queria fazer ali mesmo, na comadre ou se eu preferia ir para o quarto. Disse que preferia ir pro quarto e ela me disse que tinha que esperar um pouquinho porque ela estava sozinha e assim que fosse possível ela me levava.
Antes tivesse feito na comadre mesmo... quase 20.10h e chamei por ela de novo. "Não aguento mais!" Ela acabou ficando com dó, acho, e logo começou a me empurrar para o elevador.
Finalmente cheguei no quarto, vi meu marido na porta mas não vi minha mãe. Pedi pra ir logo no banheiro mas a enfermeira do andar disse que eu não podia levantar de uma vez porque eu ia ficar tonta. A solução foi fazer na comadre mesmo.... nossa! que alívio!
Depois de respirar, abrir bem os olhos, me situar, pedi que meu marido levantasse um pouco a cama... de repente, que enjoo, de novo! Ee abaixou a cama de novo e por sorte passou rapidinho o enjoo. Se eu tivesse levantado, com certeza teria passado muito mal.
21h - Dr. Rafael chegou no quarto para me ver. Perguntou como me sentia e que tudo tinha ido muito bem. Falou para eu tentar levantar da cama e começar a caminhar. Parecia que eu tinha um elefante sentado em cima de mim e ele queria que eu caminhasse.
Mais tarde, consegui me levantar e fui até o banheiro.
Dados técnicos: conversando com meu marido, o médico falou logo após a cirurgia que normalmente eles operam em 50 minutos mas como eu ainda não tive filhos, meus órgãos estavam bem juntinhos e foi mais difícil um pouco e por isso o procedimento levou 1h e 20 min.
Antes de dormir de novo, falei com a minha mãe... ela estava preocupada de não ter me visto mas consegui acalmá-la.
Como não podia beber nada e muito menos nem pensar em comida, estava no soro direto e assim seria por dois dias, acabei dormindo.
A noite foi típica... enfermeiras no quarto de tempo em tempo para dar remédios, medir a pressão e temperatura, essas coisas.
No outro dia acordei cedo. Às 8.30h estava no chuveiro e ai percebi que estava com o rosto azul... quando passei mal na enfermaria, vomitei um líquido azul e pensei: deve ter sido o tal teste com azul de metileno.
Tomei um banho delicioso, troquei de roupa e comecei a caminhar pelo corredor do hospital.
Começaram a chegar os primeiros amigos. Cecília, depois a Flávia, depois Celmar e Fernanda. O telefone também tocava bastante.
Na hora do almoço, minha mãe chegou. Ai sim, ela ficou aliviada mesmo de me ver.
O primeiro dia foi bem tranquilo. O segundo dia foi bem parecido... remédios, soro, caminhada, exercícios com a fisioterapeuta, descansar um pouco e tudo de novo.
Terceiro dia: quase meio-dia, dr. Rafael apareceu. Me deu um golinho de água... que delícia! Eu que não vivo sem beber água, depois de 2 dias seca, pude beber um golinho. E ele perguntou se eu queria ir pra casa. CLARO! Ele fez a receita com o medicamento para tomar 28 dias (antiinflamatório) e liguei para minha mãe me buscar! UHU!
Chegando em casa, primeira refeição. Água de coco! Bom demais!
Chega por hora, depois conto o primeiro mês de alimentação.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário